Pêndulo
E a busca pela constância
Eu estou sempre preso no meio Entre a vontade de me esconder E o desejo de ser visto Entre a excitação da incerteza E a segurança do que é cotidiano Entre o anseio pela liberdade E a ideia de ter raízes Sou um oceano em constante mudança Puxado para frente e para trás entre marés Um pêndulo que oscila eternamente Nunca parado por tempo suficiente Para decidir alguma coisa
A busca pela constância
Não há como se ajustar a um mundo inconstante. Continuadamente inconsistente e pouco confiável. Este universo que carece de padrões e previsibilidade, em que nunca posso confiar totalmente em amigos, empregos, família, situações, pessoas. No qual preciso estar sempre me testando e testando a todos, continuadamente. Testando cada aspecto de minha vida, como se eu renascesse todos os dias. Todas as horas ou minutos. Vivo neste medo constante de que qualquer indivíduo ou de que qualquer situação torne-se o que mais temo: uma traição. Diariamente preciso recomeçar, tentar desesperadamente me provar que as pessoas e que o mundo são dignos da minha confiança. Preciso testemunhar a todo momento todos os fatos e verdades, provando com meus próprios olhos todas as coisas que acho repentinamente absurdas. Sei que o sol tem nascido ao leste por milhares e milhares de anos, mas e se por acaso hoje ele resolver nascer pelo oeste?



